Destaque Vela Oceânica MiniTransat OR – 2001

A primeira participação brasileira no circuito de vela oceânica em solitário

São Paulo, 20 de novembro de 2001 – A vela oceânica brasileira ganhou destaque no exclusivo circuito de vela de longo curso: o veleiro OR (ouro em francês), construído inteiramente no Brasil (por seu próprio navegador!) participou acompanhando a Regata Minitransat 2001 e que, pela primeira vez encerrou em Salvador (BA). Considerado um dos mais leves da flotilha de competidores posicionou-se próximo ao pelotão de ponta, apesar do excesso de acessórios sobressalentes e de segurança a bordo – tudo para garantir a chegada no Centro Náutico da Bahia.

Foram 10 anos de dedicação para o persistente navegador brasileiro Roberto Holzhacker – o Robi, desde a paixão instantânea pela categoria 6,5M, a escolha e desenvolvimento do desenho inicial, a construção do veleiro, os testes hidrostáticos e viagens de experiência e, finalmente, o teste final na regata Transgascogne 2.001 (França-Espanha-França). Tudo isso para participar naquela que é considerada a Fórmula 3.000 da vela, numa alusão à categoria “vestibular” do automobilismo.

Na França, desde junho, Robi preparou cuidadosamente o Or por dois excelentes motivos: o pequeno veleiro da categoria 6.5M seria o único representante brasileiro a disputar a difícil prova e, também, queria estar preparado para qualquer contratempo ou problema durante a travessia do Atlântico.

E um contratempo aconteceu, não por causa dos ventos fortes, mas um típico diz-que-diz francês: na última semana seu sonho de competir foi “desmoronado” devido a uma falta de comunicação entre os organizadores da prova e os diretores de classe. Conclusão: a única equipe brasileira – a primeira a se inscrever na regata foi excluída da lista oficial de competidores – sem contar com o apoio da organização brasileira.

Robi não desiste – nunca. Sozinho, realizou seu sonho de dez anos e 4.400 milhas de travessia atlântica desde a França até a Bahia, enfrentando calmarias, tempestades, navios na contramão e descaso da organização da prova. Concluiu sua meta entre os 13 melhores competidores na 2a etapa, e com a excelente marca de 7 nós durante a travessia deixou para trás muitos favoritos…

Sobre o veleiro

O veleiro, batizado de Or (ouro em francês), o primeiro e único veleiro da classe Mini 6.50 construído no Brasil, é um projeto do Groupe Finot e do arquiteto naval e navegador Roberto Holzhacker.

Ficha Técnica
Comprimento total: 6.50 m
Boca: 2.95 m
Calado: 2.00 m
Deslocamento leve: 730 kg
Área vélica: 45 m²
Contravento: 104 m² empopada
Material: sandwich de fibra de carbono

A História da Mini-transat

Em 1977, o velejador inglês Bob Salmon constatou que os investimentos necessários para a realização de regatas transoceânicas estavam se tornando proibitivos devido à complexidade crescente na administração de grandes equipes.

Na busca de uma nova opção esportiva que incentivasse a tecnologia marítima e a formação dos skippers (capitães) do futuro decide organizar uma regata sob medida para veleiros que custassem pouco, mas que tivessem alta performance: assim nasceu a Mini-Transat.

As condições difíceis enfrentadas por navegadores solitários em veleiros de pequeno porte fazem da Mini-Transat, a mais respeitada prova para a formação de profissionais da vela oceânica, como o atual campeão da Globe Challenge Michel Desjoyeaux, as navegadoras francesas Isabelle Autissier(que liderou uma etapa dessa regata) e Catherine Chabaud, Lionel Pean, Loïc Peyron, Yves Parlier, Thierry Dubois e tantos outros famosos velejadores.

Também para os projetistas, a Mini-Transat é uma competição especial: é nela que são testadas inovações de forma intensa, e as soluções tecnológicas encontradas são transferidas para projetos inéditos.

Sobre o Navegador

Roberto Giora Holzhacker – Arquiteto naval, construtor e velejador, paulista, 42 anos.
Robi, como é conhecido, é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica. Aficcionado pelos esportes de mar, desenvolveu seus estudos em Arquitetura Naval consagrando-se Mestre pela École D’Architecture de Nantes (França), em 1991. Nessa época, apaixonou-se pelos veleiros de 6,5m que competiam na Europa e tornou-se parceiro do Groupe Finot, introduzindo, no Brasil, conceitos revolucionários utilizados pelos grandes veleiros de competição.

Foi diretor de empresas do ramo têxtil e metalúrgico e, atualmente, exerce suas atividades como diretor-presidente da One Design Naval Architecture, empresa que desenvolve de projetos de embarcações inovadoras, tais como o próprio Mini-Transat 6,5 brasileiro (1992), um veleiro de 16 m ULDB (Ultra light displacement ballast) de alumínio (1995), veleiro em alumínio de 21 m, com mastreação Aerorig, que foi lançado ao mar em Novembro/2000, reforma de veleiro de alumínio de 84 pés (1999) e outros projetos em andamento.

Velejador da classe Soling e da classe Oceano com 18.000 milhas navegadas participou em diversas categorias e regatas, entre as principais do calendário náutico brasileiro: Regata de Santos, Semana de vela de Ilhabela, Regata Rio Santos, Recife-Fernando de Noronha, Rio de Janeiro e outras.

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